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"E o verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória."
(Jo 1, 14). Do mistério deste nascimento do Filho de Deus no mundo brota
o dinamismo do testemunho: Deus está presente em todas as coisas da
vida. Com uma presença que vem tudo salvar e tudo santificar.
Todo dia é Natal
Dois aspectos essenciais envolvem a vinda do Emanuel :
• A alegria : alegria de um nascimento, alegria de
Maria e José; ainda mais, a alegria de saber que a humanidade é visitada
por seu Salvador. Como a visita dos anjos aos pastores : "Eis que eu
vos anuncio uma grande alegria, que será para todo o povo: Nasceu-vos
hoje um Salvador" ... (Lc 2, 10-11).
Para um membro da Comunidade, há como uma permanência da graça de Natal.
De certa forma, todo dia é Natal porque, todo dia, ele acredita e
anuncia, depois dos anjos, dos pastores e os reis magos, que o mundo,
apesar das aparências, tem um Salvador. Desta forma, não importa quais
sejam as provas, os combates ou as pequenas alegrias, esta realidade de
fé é motivo de louvor.
O louvor não é nem uma técnica, nem uma fuga das
dificuldades, mas é um ato de fé na salvação que nos é realmente nos dada;
louvar é uma arma de combate, uma fonte de força porque "Deus habita
no louvor de seu povo" (Sl 22, 4). E a alegria é desta forma
renovada.
• Muito próxima do louvor, a adoração é também uma
das graças fundamentais da Comunidade Emanuel. "Vejamos o que
aconteceu" (Lc 2, 15), dizem os pastores, e eles vêm. Do mesmo modo,
os reis magos "viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostrando-se,
o homenagearam" (Mt 2, 11).
Assim, cada membro da Comunidade é chamado a reconhecer o verdadeiro
Deus na humanidade de Jesus e, como eles, a se deslocar, a tirar um tempo
para vê-lo e se deixar instruir na silenciosa luz do presépio. A
Eucaristia é para nós também um presépio : um Deus que se oferece,
disponível, humilde... "Em sua luz, nós vemos a luz." O próprio
Jesus revela alguma coisa do Pai. Ele nos faz simplesmente entrar em seu
“sim”. "Eis-me aqui, eu vim, ó Deus, para fazer a tua vontade"
assim Ele declara (Hb 10, 5-7 retomando o Sl 40, 8), e Ele diz também
"minha vida, ninguém a tira de mim, mas eu a dou livremente."
(Jo 10, 18). Jesus nos convida a nos doarmos ao mundo como Ele se doou.
"Vendo-o, contaram o que lhes fora dito a respeito do menino; e todos os
que os ouviam, ficavam maravilhados com as palavras dos pastores"
(Lc 2, 17-18). "E os pastores voltaram" (Lc 2, 20) a seus
trabalhos, e os magos retornaram também a seu país e às suas pesquisas.
É assim também para os membros da Comunidade, cada um retorna para a sua
vida ordinária, iluminado e profundamente transformado por este contato
direto com Jesus na adoração... com o próprio Jesus. "E eis que eu
estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos" (Mt 28,
20) ; e Jesus realiza o que ele prometeu.
Eu vim para ascender um fogo
Mas este Emanuel que nos acompanha, nos chama também para participar de
sua missão: ir buscar cada homem, onde quer que ele esteja, e conduzi-lo
ao Pai.
"Eu vim para ascender um fogo sobre a terra, e como eu quero que ele
queime", diz Jesus. A adoração queimou, aqueceu nosso coração: os
sentimentos de Jesus se tornam os nossos. Ele nos dá a "compaixão", isto
significa que Ele nos faz próximos de todo homem para amá-lo e lhe dizer
que Deus se interessa por ele, pessoalmente, por tudo o que ele é e por
tudo o que ele vive, que há uma esperança e uma salvação para ele não
importando qual seja sua história e sua situação. Ora, nós estamos
convencidos que ninguém está tão longe de Deus que não possa se
aproximar um pouco, assim como ninguém está tão próximo Dele que não
possa se aproximar ainda mais.
A graça de Pentecostes
A Comunidade Emanuel, lembremos, inscreve-se diretamente na corrente da
Renovação Carismática e, neste sentido, a experiência de Pentecostes é a
primeira graça fundadora que sustenta todas as outras. Trata-se de uma
primeira experiência ou uma nova conversão; de um encontro muito pessoal
com Cristo vivo e ressuscitado. O reconhecimento do Espírito Santo como
pessoa e a acolhida dele em nós, faz-nos entrar numa intimidade nova com
o Cristo. Sob a ação do Espírito Santo, revela-se em nós um vivo desejo
de seguir o Senhor Jesus numa abertura dócil ao chamado de Amor do Pai.
Este Espírito Santo é também experimentado como impulso e força para
partilhar a Boa Nova e a alegria de Deus.
A dimensão comunitária está ligada à efusão do Espírito, ao dom do
Espírito Santo que fez dos apóstolos irmãos,
unidos para testemunhar a Salvação. Jesus mesmo quis nascer e viver numa
família; eram vários os pastores para escutar o anúncio da Boa
Nova e os reis magos haviam procurado, juntos, a verdade. E... não é
surpreendente ver estes diferentes estados de vida reunidos ao redor do
presépio na primeira manifestação ao mundo de Deus feito homem ?
Maria, em Pentecostes, que preparava o coração dos Apóstolos para
acolher o dom do Espírito Santo estava lá no presépio, silenciosa,
apresentando seu filho, o Salvador, aos primeiros adoradores, como que
encorajando-os a partir para a missão deles.
Podemos dizer que Maria continua olhando e acompanhando cada um em sua
missão, seja ela pequena ou grande. Maria permanece, ao mesmo tempo, em adoração,
"conservando com cuidado todas essas coisas e as meditando em seu
coração", e ardendo de vontade de fazer Jesus nascer em cada
coração, tornando-se, assim, um modelo para a evangelização.
Os membros da Comunidade têm com ela uma relação pessoal. É
verdadeiramente ela que os leva a entrar mais profundamente nas graças
da adoração, do louvor, da compaixão e da evangelização que caracteriza
propriamente seu chamado. Neste sentido, Maria continua dando à luz a
Comunidade Emanuel, como continua dando à luz a Igreja. |
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