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Em 1970, aposentou-se e colocou-se a rezar nos dois pequenos cômodos
do quinto andar que constituía sua pobre residência.
Seu desejo ardente de anunciar Jesus o impulsionou a reunir jovens com
pretextos diversos afim de lhes abrir à esperança de Deus. E assim que
uma jovem se converteu quando ele leu para ela a frase de Jesus à
Samaritana : "Se tu conhecesses o dom de Deus..." Em um outro
momento , ele ajudou também o escritor Maurice Clavel a tomar consciência
que a crise que o derruba era uma busca de Deus. Clavel se converteu e
escreveu alguns anos mais tarde um livro entitulado “Aquilo que eu
creio”, que veio a ser a ocasião para a conversão de muitos.
Nascimento da Comunidade Emanuel
Pierre era amigo do padre Caffarel que, depois de ter fundado as equipes
de Nossa Senhora, organizou uma célebre casa de oração em Troussures. Uma jovem residente de medicina, Martine Laffitte (hoje
Martine Cattá), sob os conselhos do padre, animava uma escola de oração
em Paris, Rua do Cherche Midi. Martine e Pierre se conheceram em
Troussures. No fim do ano de 1971, Pierre ouve falar da Renovação
Carismática pelo padre Regimbald. Ele falou sobre a Renovação com Martine
que não entendeu nada, a não ser que ele tinha feito uma descoberta muito
importante. Alguns meses depois, nos dias 11 e 12 de fevereiro de 1972,
o padre Caffarel organizou um final de semana em Troussures. No decorrer
do encontro, Brigitte et Xavier Le Pichon testemunham a respeito da
Renovação. Ao término do final de semana, todos os participantes pediram a
oração para a Efusão do Espírito.
Pierre e Martine se encontram desde estão todos os dias para rezar. A
Comunidade Emanuel nasceu. Em maio de 1972, o grupo de oração, Rua do Cherche Midi,
tinha cinco pessoas. Um ano depois, ele tinha 500. O grupo guardava sua
unidade recebida do nome Emanuel. Era um lugar de graças. "Nós tínhamos
o sentimento de ali reviver o Pentecostes", testemunhou Martine. Na
Comunidade Emanuel, sob a intuição do padre Pierre, certo número de membros
passou progressivamente a uma comunidade mais engajada. Paralelamente e
misteriosamente nasceu também no seio da Comunidade Emanuel a
Fraternidade de Jesus que se revelou como berço estimulador da vida e do
crescimento da Comunidade. Encorajado por Martine e pelo padre de Monléon que tinha se juntado a eles rapidamente, por Marthe Robin que
ele tinha ido consultar, Pierre aceitou a responsabilidade da Comunidade Emanuel
e permaneceu até 1985. Ele pediu demissão voluntariamente, estimando que
sua saúde não lhe permitisse mais continuar nesta responsabilidade. Ele
foi durante todo este tempo o verdadeiro inspirador do carisma da
Comunidade Emanuel e de sua organização. Ele a impulsionou a evangelizar
em todos os domínios e a se comprometer decididamente no mundo moderno.
As graças fundamentais, a fisionomia, os estatutos da Comunidade estavam
bem desenhados quando ele morreu na Peniche, no dia 25 de março de 1991.
Assim este grande amigo da Virgem Maria e do Espírito Santo nasceu no
dia da Assunção e morre no dia da Anunciação.
Todo o
espaço para Deus
Uma comunidade, qual que ela seja, guarda sempre alguns traços da
personalidade espiritual do seu (ou dos seus) fundador(res). Por isso é
realmente importante conhecer estes traços. Pierre tinha uma rica
personalidade sobre a qual nós só podemos dar aqui algumas pinceladas.
Pierre era um homem completamente dado a Deus e aos outros, sem nenhuma
reserva. Desde sua conversão radical, Deus tomou imediatamente quase toda
sua vida. Ele queria que o Senhor crescesse nele a cada dia. Isto não o
impedia de ser humano com suas características originais, difícil para
ele canalizar isso. Pouco a pouco, entretanto, e particularmente no fim
de sua vida, ele se abandonava cada vez mais. Este Deus, ao qual ele tinha
se dado, era um Deus de amor, um Deus próximo. Pierre Goursat vivia profundamente o
nome da Comunidade : Emanuel, Deus conosco. Foi ele quem relançou a mensagem
de amor do Coração de Jesus em Paray-le-Monial, o chamado aos homens
para que os homens se tornem seus amigos.
Esta proximidade com Jesus não é mais intensa do que na
Eucaristia. Pierre foi um adorador da Hóstia e ele fez deste o carisma
primeiro da Comunidade Emanuel. "Ele se consumia na adoração", dizia monsenhor
Albert-Marie de Monléon. Pierre passava horas em oração, tanto de dia como de
noite. Lá, ele depositava as preocupações de todos os seus irmãos, as
intenções da igreja e, acima de tudo, intercedia
pelos pecadores, como são Domingos.
Pierre, na verdade, não tinha um coração indiferente. Ele era muito
presente para cada um. Tínha-se a impressão de nunca incomodá-lo. Ele
acolhia com compaixão todos os sofrimentos, os chamados, as necessidades
dos outros, primeiramente dos seus irmãos de Comunidade. Tinha às vezes
uma forte graça de consolação para os outros. Quanto a ele, dava a
Jesus, na medida do possível, tudo o que lhe era confiado. Adoração e compaixão
caminhavam juntos.
Pierre experimentava uma grande compaixão, em particular, por aqueles
que não conheciam o Senhor. Não existe maior miséria do que a miséria
espiritual. Pierre também falava sem cessar da evangelização, mesmo, e,
sobretudo, com os meios mais simples, mesmo e, sobretudo, com as pessoas
simples. Para ele, a Comunidade Emanuel só existia para evangelizar. Neste domínio,
ele era um inventor formidável. Era realmente um visionário, mas um
visionário ativo.
Ele mesmo nunca se levava a sério. Ao contrário, dizia que
ele era, segundo a expressão da escritura, “um pobre verme”. Mas ele
estava convencido de que a Comunidade era vontade de Deus, e que o
Senhor utilizava até os seus erros e suas desventuras em favor dela. Por outro lado,
estimava , a exemplo de santa Terezinha do Menino Jesus, que não era
preciso se prender sobre suas misérias. Ele propunha a fazer um grande
fogo de alegria, a não contemplar incessantemente as próprias fraquezas e
a
queimar de amor de Deus no louvor. Ele foi uma alma de louvor. Uma das
grandes alegrias de sua vida foi ver seus irmãos e irmãs de
Comunidade entrarem na mesma perspectiva, e o louvor se acender cada vez
mais.
Um
humilde fundador
Assim, Pierre tinha uma humildade radical e simples. Era possível dizer
na sua morte que ele era "um humilde fundador", e isto é profundamente
justo. Sua humildade diante de Deus e dos outros lhe dava a
possibilidade de acolher as mais diferentes pessoas, mesmo as que
humanamente eram contra ele. Ele ensinou isto à sua Comunidade, e esta
riqueza das diferenças de idades, de origens, de tendências permaneceu
como um dos grandes
tesouros e como uma das grandes graças da Comunidade Emanuel.
Esta humildade lhe dava uma grande escuta do Espírito Santo. Ele
colocava sua vontade completamente disponível à vontade de Deus. Muitos
puderam experimentar que ele não hesitava em mudar seus projetos depois
de ter rezado, ou que ele modificava sua própria idéia quando um
interlocutor lhe expunha algo de mais valor.
Livre
para amar
Enfim, Pierre era um homem muito livre. Quando o víamos, tínhamos a
impressão de ver um ser extremamente original. Mas esta originalidade
era o reflexo de sua liberdade interior. Ele não era coagido por nenhuma
estrutura. Profundamente tradicional, no melhor sentido da palavra,
não era absolutamente conservador. Era preciso criar um mundo novo, era
preciso ir adiante. Era preciso renovar a Igreja que ele amava
apaixonadamente. Por isso, não se deixava parar por assuntos
secundários e transitórios.
Tais são alguns tratados que Pierre quis transmitir a seus irmãos e
irmãs de Comunidade. Poderíamos largamente desenvolver tudo isto. Mas não seríamos exatos
se deixássemos de dizer que tudo isto esteve
revestido de uma grande alegria : alegria da presença de Deus, alegria
da ação de Deus, alegria de viver com os irmãos. Marthe Robin o
confirmava dizendo um dia : "Eu vou rezar para que a
Comunidade Emanuel evangelize
com alegria ".
Processo de Beatificação
Em 2007 o Conselho da Comunidade Emanuel decide propor ao Arcebispo de
Paris o julgamento da causa de beatificação de Pierre (virtudes
heróicas). Em 2008 o cardeal arcebispo de Paris recebe de Roma a
autorização para introdução da causa. Por fim, em 07 de janeiro de 2010
é então aberto o processo de beatificação de Pierre Goursat.
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