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O FUNDADOR


Pierre Goursat
Uma alma de fogo
 

Extraído do livro le Feu et l'Espérance (Fogo e Esperança)
Por Padre Bernard Peyrous e Hervé-Marie Catta.

Nota: Em 07 de janeiro de 2010 foi oficialmente aberto o processo de beatificação de Pierre Goursat. Vide final do texto.

                    Pierre Goursat, um parisiense, um convertido, um evangelizador. Parisiense nasceu e o foi toda sua vida. Desde seu nascimento, 15 de agosto de 1914, morou em frente de Saint Philippe du Roule, faubourg St Honoré, os últimos anos de sua vida foram vividos na Peniche (barco, vide segunda foto abaixo).Pierre Goursat

Sua conversão se deu na idade de 19 anos quando se tratava de tuberculose na planície de Assy. Um dia, ele se deu conta bruscamente de que não pensava mais em seu irmão Bernard, caçula dois anos mais novo, morto repentinamente aos 10 anos. Então, foi como se seu irmão lhe dissesse : " você não pensa mais em mim porque tem o coração duro, você é orgulhoso. "  Pierre se colocou de joelho aos pés de sua cama de enfermo e reencontrou neste instante o Cristo de uma  maneira que o iluminou por toda a sua vida. Rompeu, então, com a concepção de vida refinada e estética ligada ao seu temperamento de artista. Ele se propôs a aprofundar sua fé, a rezar, a evangelizar.



Um adorador da eucaristia

                    Ele coordenou uma série de ações de evangelização, juntamente com a liga do Evangelho do padre Lécailler. Alguns quiseram que ele fosse padre mas, sempre, de uma forma ou de outra, o Senhor lhe fazia escutar claramente que sua verdadeira vocação era ser adorador leigo. Durante a guerra, ele se encontrou com o cardeal Suhard, arcebispo de Paris, do qual ele se tornou íntimo . O cardeal Suhard foi um dos primeiros a perceber a descristianização da França e da necessidade de reevangelizar o país. De sua parte, confirma Pierre em sua vocação de permanecer no mundo para aí testemunhar sua fé e aí ser um adorador da Eucaristia.
 

                 Em 1944, Pierre saiu de uma aventura perigosa graças à intervenção da Virgem Maria, como ele mesmo contara numerosas vezes. Esta foi também uma experiência espiritual. Como tinha encontrado Jesus, agora ele encontrara Maria. Praticamente todos os anos, desde então ia a Lourdes. Nesta época, consagrou-se à evangelização pelos livros, revistas e a participação no Círculo Católico de Intelectuais.

                    Em seguida, inclinou-se para o cinema e tornou-se um grande especialista. Estava convencido que o cinema influenciava cada vez mais o comportamento  das pessoas e era necessário que os cristãos estivessem ali também presentes. Fundou uma revista de crítica cinematográfica: tornou-se amigo e às  vezes  conselheiro  de  vários  diretores  e

 
 

exerceu durante dez anos a função de secretário do Ofício Católico do Cinema. Organizou grandes debates com a apresentação de filmes. Entretanto, estava sempre doente de tuberculose e lhe acontecia de melhorar apenas para participar destes encontros.
 

                    Em 1970, aposentou-se e colocou-se a rezar nos dois pequenos cômodos do quinto andar que constituía sua pobre residência.Peniche (barco) Seu desejo ardente de anunciar Jesus o impulsionou a reunir jovens com pretextos diversos afim de lhes abrir à esperança de Deus. E assim que uma jovem se converteu quando ele leu para ela a frase de Jesus à Samaritana : "Se tu conhecesses o dom de Deus..."  Em um outro momento , ele ajudou também o escritor Maurice Clavel a tomar consciência que a crise que o derruba era uma busca de Deus. Clavel se converteu e escreveu alguns anos mais tarde um livro entitulado “Aquilo que eu creio”, que veio a ser a ocasião para a conversão de muitos.

 

Nascimento da Comunidade Emanuel

                    Pierre era amigo do padre Caffarel que, depois de ter fundado as equipes de Nossa Senhora, organizou uma célebre casa de oração em Troussures. Uma jovem residente de medicina, Martine Laffitte (hoje Martine Cattá), sob os conselhos do padre, animava uma escola de oração em Paris, Rua do Cherche Midi. Martine e Pierre se conheceram em Troussures. No fim do ano de 1971, Pierre ouve falar da Renovação Carismática pelo padre Regimbald. Ele falou sobre a Renovação com Martine que não entendeu nada, a não ser que ele tinha feito uma descoberta muito importante. Alguns meses depois, nos dias 11 e 12 de fevereiro de 1972, o padre Caffarel organizou um final de semana em Troussures. No decorrer do encontro, Brigitte et Xavier Le Pichon testemunham a respeito da Renovação. Ao término do final de semana, todos os participantes pediram a oração para a Efusão do Espírito.

                    Pierre e Martine se encontram desde estão todos os dias para rezar. A Comunidade Emanuel nasceu. Em maio de 1972, o grupo de oração, Rua do Cherche Midi, tinha cinco pessoas. Um ano depois, ele tinha 500. O grupo guardava sua unidade recebida do nome Emanuel. Era um lugar de graças. "Nós tínhamos o sentimento de ali reviver o Pentecostes", testemunhou Martine. Na Comunidade Emanuel, sob a intuição do padre Pierre, certo número de membros passou progressivamente a uma comunidade mais engajada. Paralelamente e misteriosamente nasceu também no seio da Comunidade Emanuel a Fraternidade de Jesus que se revelou como berço estimulador da vida e do crescimento da Comunidade. Encorajado por Martine e pelo padre de Monléon que tinha se juntado a eles rapidamente, por Marthe Robin que ele tinha ido consultar, Pierre aceitou a responsabilidade da Comunidade Emanuel e permaneceu até 1985. Ele pediu demissão voluntariamente, estimando que sua saúde não lhe permitisse mais continuar nesta responsabilidade. Ele foi durante todo este tempo o verdadeiro inspirador do carisma da Comunidade Emanuel e de sua organização. Ele a impulsionou a evangelizar em todos os domínios e a se comprometer decididamente no mundo moderno. As graças fundamentais, a fisionomia, os estatutos da Comunidade estavam bem desenhados quando ele morreu na Peniche, no dia 25 de março de 1991. Assim este grande amigo da Virgem Maria e do Espírito Santo nasceu no dia da Assunção e morre no dia da Anunciação.

 

Todo o espaço para Deus

                    Uma comunidade, qual que ela seja, guarda sempre alguns traços da personalidade espiritual do seu (ou dos seus) fundador(res). Por isso é realmente importante conhecer estes traços. Pierre tinha uma rica personalidade sobre a qual nós só podemos dar aqui algumas pinceladas.

                    Pierre era um homem completamente dado a Deus e aos outros, sem nenhuma reserva. Desde sua conversão radical, Deus tomou imediatamente quase toda sua vida. Ele queria que o Senhor crescesse nele a cada dia. Isto não o impedia de ser humano com suas características originais, difícil para ele canalizar isso. Pouco a pouco, entretanto, e particularmente no fim de sua vida, ele se abandonava cada vez mais. Este Deus, ao qual ele tinha se dado, era um Deus de amor, um Deus próximo. Pierre Goursat vivia profundamente o nome da Comunidade : Emanuel, Deus conosco. Foi ele quem relançou a mensagem de amor do Coração de Jesus em Paray-le-Monial, o chamado aos homens para que os homens se tornem seus amigos.

Pierre Goursat

                    Esta proximidade com Jesus não é mais intensa do que na Eucaristia. Pierre foi um adorador da Hóstia e ele fez deste o carisma primeiro da Comunidade Emanuel. "Ele se consumia na adoração", dizia monsenhor Albert-Marie de Monléon. Pierre passava horas em oração, tanto de dia como de noite. Lá, ele depositava as preocupações de todos os seus irmãos, as intenções da igreja e, acima de tudo, intercedia pelos pecadores, como são Domingos.

                    Pierre, na verdade, não tinha um coração indiferente. Ele era muito presente para cada um.    Tínha-se a impressão de nunca incomodá-lo. Ele acolhia com compaixão todos os sofrimentos, os chamados, as necessidades dos outros, primeiramente dos seus irmãos de Comunidade. Tinha às vezes uma forte graça de consolação para os outros. Quanto a ele, dava a Jesus, na medida do possível, tudo o que lhe era confiado. Adoração e compaixão caminhavam juntos.

                    Pierre experimentava uma grande compaixão, em particular, por aqueles que não conheciam o Senhor. Não existe maior miséria do que a miséria espiritual. Pierre também falava sem cessar da evangelização, mesmo, e, sobretudo, com os meios mais simples, mesmo e, sobretudo, com as pessoas simples. Para ele, a Comunidade Emanuel só existia para evangelizar. Neste domínio, ele era um inventor formidável. Era realmente um visionário, mas um visionário ativo.

                   Ele mesmo nunca se levava a sério. Ao contrário, dizia que ele era, segundo a expressão da escritura,  “um pobre verme”. Mas ele estava convencido de que a Comunidade era vontade de Deus, e que o Senhor utilizava até os seus erros e suas desventuras em favor dela. Por outro lado, estimava , a exemplo de santa Terezinha do Menino Jesus, que não era preciso se prender sobre suas misérias. Ele propunha a fazer um grande fogo de alegria, a não contemplar incessantemente as próprias fraquezas e a queimar de amor de Deus no louvor. Ele foi uma alma de louvor. Uma das grandes alegrias de sua vida foi ver seus irmãos e irmãs de Comunidade entrarem na mesma perspectiva, e o louvor se acender cada vez mais.

 

Um humilde fundador

                     Assim, Pierre tinha uma humildade radical e simples. Era possível dizer na sua morte que ele era "um humilde fundador", e isto é profundamente justo. Sua humildade diante de Deus e dos outros lhe dava a possibilidade de acolher as mais diferentes pessoas, mesmo as que humanamente eram contra ele. Ele ensinou isto à sua Comunidade, e esta riqueza das diferenças de idades, de origens, de tendências permaneceu como um dos grandes tesouros e como uma das grandes graças da Comunidade Emanuel.

                    Esta humildade lhe dava uma grande escuta do Espírito Santo. Ele colocava sua vontade completamente disponível à vontade de Deus. Muitos puderam experimentar que ele não hesitava em mudar seus projetos depois de ter rezado,  ou que ele modificava sua própria idéia quando um interlocutor lhe expunha algo de mais valor.

 

Livre para amar

                    Enfim, Pierre era um homem muito livre. Quando o víamos, tínhamos a impressão de ver um ser extremamente original. Mas esta originalidade era o reflexo de sua liberdade interior. Ele não era coagido por nenhuma estrutura. Profundamente tradicional, no melhor sentido da palavra, não era absolutamente conservador. Era preciso criar um mundo novo, era preciso ir adiante. Era preciso renovar a Igreja que ele amava apaixonadamente. Por isso, não se deixava parar por assuntos secundários e transitórios.

                    Tais são alguns tratados que Pierre quis transmitir a seus irmãos e irmãs de Comunidade. Poderíamos largamente desenvolver tudo isto. Mas não seríamos exatos se deixássemos de dizer que tudo isto esteve revestido de uma grande alegria : alegria da presença de Deus, alegria da ação de Deus, alegria de viver com os irmãos. Marthe Robin o confirmava dizendo um dia : "Eu vou rezar para que a Comunidade Emanuel evangelize com alegria ". 

 

Processo de Beatificação

                    Em 2007 o Conselho da Comunidade Emanuel decide propor ao Arcebispo de Paris o julgamento da causa de beatificação de Pierre (virtudes heróicas). Em 2008 o cardeal arcebispo de Paris recebe de Roma a autorização para introdução da causa. Por fim, em 07 de janeiro de 2010 é então aberto o processo de beatificação de Pierre Goursat.

 

 
 
 
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